Resumo:
Uma mulher palestiniana, culta, inteligente e espirituosa, mantém um diário de guerra. Os israelitas disparam, mas, na forçada reclusão das paredes domésticas, dispara também a mãe do seu marido, uma sogra proverbial. Num punhado de páginas plenas de humor e de ácida lucidez política e sentimental, os golpes baixos de Sharon e do seu governo acabam por pactuar com a idiossincrasia de uma sogra petulante com a qual a autora se encontra, num involuntário tête à tête, no decurso de um tempo de assédio. Inconveniente e sofisticada quanto basta para fazer increspar as águas do politicamente correcto e a retórica que coloca sempre vítimas e opressores em campos rigorosamente separados, Suad Amiry faz emergir, em Sharon e a minha sogra, um quadro quase surreal, mas com altíssima definição das marcas de uma vida violada. TaIvez um dia venha a conseguir perdoar ter estado trinta e quatro dias consecutivos em recolher obrigatório, mas nunca conseguirei esquecer que me obrigaram a viver com a minha sogra durante o que me parece agora terem sido trinta e quatro anos.»
 
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